Assessoria Psicopedagógica


REGIMENTO


1. Fundamentação teórica


A Faculdade Alfacastelo criou o Departamento de Assessoria Pedagógica no ano letivo de 2005, por solicitação do MEC, e o trabalho idealizado por este departamento aponta para um atendimento que, ainda que eventualmente resulte em aprendizagem, o cerne da sua tarefa não é uma ação pedagógica. O objetivo não é ensinar, não é transmitir informações ou conteúdos escolares. Por outro lado, não se tem uma tarefa estritamente psicológica, pois se intervêm simultaneamente nos processos cognitivos e simbólicos.A Psicopedagogia não se restringe mais aos consultórios, às escolas e a Educação. Tornou-se um fenômeno mais amplo, englobando as diversas situações de ensino e aprendizagem do cotidiano. O Psicopedagogo hoje atua também em empresas, hospitais, ONGS e instituições em geral.
A Psicopedagogia enfatiza o caráter preventivo .De maneira geral, trabalha-se prevenindo os fracassos na aprendizagem e na melhoria da qualidade e do desempenho.
 

Em adultos, a Psicopedagogia é fundamental para:


o resgate da aprendizagem
o estímulo à re-significação dos conhecimentos e
o levantamento da auto-estima.
 

No atendimento psicopedagógico, o que está em jogo é a recuperação do vínculo do sujeito com o objeto de conhecimento, e o psicopedagogo vai representar um mediador nesta relação.
O atendimento psicopedagógico se estabelece através de um fazer, de uma construção que acontece entre o sujeito e o psicopedagogo. Por isso, ele vai sempre trabalhar numa triangulação, considerando o sujeito, o objeto de conhecimento, e ele mesmo, transferencialmente colocado no papel de ensinante. O psicopedagogo vai oferecer um espaço que possibilite ao sujeito trabalhar simultaneamente com os modos de se posicionar diante da construção do objeto do conhecimento e diante do ensinante que acompanha esta construção.
Para desenvolver esse trabalho, o psicopedagogo precisa ter alguns parâmetros teóricos que sustentem a sua prática, que sirvam como alicerces, como diretrizes que o auxiliem a construir uma linha de intervenção e que iluminem a trilha que precisará percorrer junto com o sujeito ao longo do trabalho. É importante enfatizar que toda intervenção psicopedagógica baseia-se em uma tomada de diagnóstico inicial, além de também se reestruturar em razão de reavaliações diagnósticas realizadas ao longo de todo o atendimento, uma vez que novas conclusões podem requerer a mudanças das diretrizes inicialmente estabelecidas.
Em cada diagnóstico encontra-se uma gama diferente de possíveis respostas para as mesmas perguntas, pois cada pessoa terá diferentes obstáculos no acesso à construção do conhecimento em função de sua particular articulação entre o organismo, o corpo, a estrutura cognitiva e a estrutura simbólica.
O atendimento psicopedagógico, proposto nesta instituição de ensino, está respaldado em quatro aspectos básicos que independem do que está se realizando junto ao sujeito. Porém, esta classificação só é possível como um esforço de sistematização, envolvendo uma distinção de aspectos que não se encontram desarticulados na realidade. Ao se trabalhar qualquer um deles, está necessariamente interferindo nos demais.
Os quatro parâmetros listados, orientam as intervenções do psicopedagogo e conduzem o desenvolvimento do trabalho:
a re-significação das fantasias relacionadas ao ato de aprender;
a restauração do vínculo que o sujeito estabelece com o objeto de conhecimento;
a reconstrução da auto-imagem do sujeito enquanto aprendente;
a reparação do vínculo do sujeito com o ensinante.
O primeiro pilar é a re-significação das fantasias relacionadas ao ato de aprender. Se for identificado que o não aprender corresponde a uma dificuldade de aprendizagem, ou seja, que ele é um sintoma, um sinal, um representante de questões internas do sujeito e da família, será necessário compreender qual o significado desse “não aprender”. Somente se houver acesso à história de vida do sujeito é que se pode compreender o sentido da formação do sintoma “não aprender”. A re-significação implica um trabalho de encontrar novos sentidos para a realidade, para si mesmo e para a aprendizagem. Para o sujeito, é possível que o ato de aprender tenha-se ligado a uma situação de desprazer. Ao se confirmar essa hipótese, o contato com o objeto de conhecimento pode gerar angústia, impedindo-o de situar-se com tranqüilidade e prazer enquanto sujeito aprendente. E é fundamental para a evolução do sujeito dotar o ato de aprender de um novo significado, porque o significado que ele atribuiu ao aprender interfere na forma como ele se vincula aos objetos de conhecimento.
O segundo pilar está relacionado com o trabalho que vai se fazer para possibilitar ao sujeito restaurar o vínculo que ele estabelece com o objeto de conhecimento, ou seja, a sua modalidade de aprendizagem. Modalidade de aprendizagem é a maneira que cada um desenvolve para se aproximar do objeto de conhecimento e, assim, aprender. Ela se constrói desde o nascimento na relação com os primeiros ensinantes (pai e mãe ou um adulto significativo na vida da criança) e por isso está relacionada com situações muito primárias vividas pelo sujeito. A modalidade de aprendizagem então seria uma matriz, um esquema de operar, que se usa nas diferentes situações de aprendizagem.Não se parte do não aprender, das dificuldades do sujeito no trabalho psicopedagógico.Parte-se das suas possibilidades e do como ele aprende. Quer se entender essa forma de aprender que o sujeito desenvolveu e que não está permitindo que ele usufrua de todo o seu potencial. Para auxiliar a pessoa a superar seu problema é preciso devolver ao conhecimento e à atividade cognitiva, a alegria que foi pervertida sobre a forma de ignorância.
O terceiro pilar do atendimento psicopedagógico refere-se ao trabalho com a auto-imagem do sujeito enquanto aprendente. Essa auto-imagem está relacionada com a modalidade de aprendizagem . Se o sujeito está com um problema de aprendizagem, isso é um provável indício de que a forma de se vincular ao objeto de conhecimento não é “eficaz” – o que não permite que ele possa se apropriar positivamente do que construiu. Isso faz com que tenha muitas frustrações no processo de aprendizagem, pois não há uma harmonia entre a solicitação e a resposta. Conseqüentemente, se estabelece um círculo vicioso: como o sujeito tem uma forma de se vincular aos objetos de conhecimento que não é “eficaz”, ele tem dificuldades para realizar as coisas e recebe de volta uma imagem negativa dele mesmo, o que só aumenta o descrédito em si próprio, além de impossibilitar a reconstrução do vínculo com o objeto de conhecimento.
Diga-se auto-imagem enquanto aprendente porque , muitas vezes o sujeito preserva uma auto-imagem positiva em outras áreas da sua vida, embora no contexto da aprendizagem ele se sinta incapaz. Acreditam que não dão conta de nada; sentem-se incapazes e inferiores aos outros. Quando fala-se de reconstrução da auto-imagem, enquanto sujeito aprendente, está se especificamente se referindo a um trabalho sobre os aspectos relacionados à capacidade para aprender: o reconhecimento do próprio pensar; o encontro com a autoria e a criatividade; a tolerância à frustração diante do próprio erro; o contato com a agressividade sadia que serve como motor para a aprendizagem; a capacidade de resignação
O último pilar está relacionado com a reparação do vínculo do sujeito com o ensinante. Ou seja, com o manejo da transferência no atendimento psicopedagógico. A transferência é um fenômeno que acontece nas relações humanas nas quais o sujeito tende a reviver, repetir e expressar sua maneira pessoal de lidar com a realidade, maneira essa que é construída nas primeiras relações afetivas. Em síntese, o sujeito transfere para a figura do terapeuta sua forma pessoal de se conduzir na vida relacional, transfere a imagem parental para a figura do terapeuta. É como uma matriz, um clichê que foi impresso nos primeiros relacionamentos e que se vai repetindo nas relações futuras. No momento em que o psicopedagogo não repete o molde relacional que o sujeito tenta imprimir à situação, ele possibilita a esse último buscar algum movimento espontâneo, além da oportunidade de experimentar outras formas de estar no mundo. O trabalho psicopedagógico busca, então, através do manejo das questões transferências, libertá-lo desse aprisionamento para que o desejo próprio se retire do cativeiro e possa ser reconhecido.
Esse pilar é central no atendimento psicopedagógico, pois é a partir da evolução do vínculo estabelecido com o psicopedagogo que o sujeito vai poder atribuir um outro significado para o ato de aprender, para a sua modalidade de aprendizagem e, conseqüentemente alterar a sua auto-estima enquanto aprendente. Então, todos os pilares do atendimento psicopedagógico estão interligados. Interferindo em um, está se interferindo nos outros também.
Através de um ambiente novo e de uma relação diferente baseada nesses quatro pilares, o psicopedagogo possibilita ao sujeito re-significar a dinâmica triangular que o envolve em relação ao ensinante e ao conhecimento.
2. Metodologia de trabalho
Os alunos interessados poderão agendar seu horário na secretaria, mediante o preenchimento de uma ficha específica (anexa) e aguardar o dia do atendimento. Ou poderão ser encaminhados pelos professores, que também deverão expor na ficha o motivo do encaminhamento.
Profa. Responsável pela Assessoria psicopedagógica: Suely Ana de Almeida
Dia de atendimento: 2ª feiras – das 21h às 22h30´.
Local de atendimento: sala ao lado da tesouraria